TRATAMENTO

08.04.20 TRATAMENTO
REMÉDIO PARA PIOLHO PODE MATAR DOENÇA EM ATÉ 48 HORAS

Um remédio usado comumente contra parasitas, a ivermectina, poderia ser empregado com eficácia também no combate à Covid-19. Um estudo feito na Austrália por pesquisadores da Universidade de Melbourne e do Hospital Royal Melbourne in vitro mostrou que o medicamento é capaz de matar o novo coronavírus em 48 horas. Instituições de todo o mundo testam a eficácia de diversas drogas, já usadas para outras doenças, no combate ao novo coronavírus. Entre elas estão a cloroquina, alguns remédios usados no tratamento da aids e, agora, a ivermectina. “Nos casos como este, de uma nova epidemia, é muito difícil criarmos uma droga inteiramente nova”, explica Fernando Bozza, infectologista da Fiocruz. “Uma das estratégias que usamos no mundo todo e tentar reposicionar alguma outra droga já conhecida Ou seja, testar sua eficácia na nova doença.” A ivermectina é usada tradicionalmente como um remédio contra parasitas, como piolhos, mas já foi testada também contra dengue, zika, e H1N1. “Nós descobrimos que uma única dose consegue, essencialmente, remover todo o RNA viral (da covid-19) em 48 horas. Em 24 horas já há uma redução significativa”, explicou Kylie Wagstaff, principal autora do estudo.

A especialista ressaltou, no entanto, que o estudo foi feito in vitro, com células. Testes em seres humanos ainda são necessários. “A ivermectina é um remédio muito usado e considerado seguro”, disse. “Mas precisamos descobrir agora que dosagem seria mais eficaz em humanos. Este é o nosso próximo passo.” Segundo Kylie, em uma pandemia como a atual, o uso de um remédio já conhecido e a forma mais rápida de se chegar a um tratamento eficaz. “Com não existe nenhum tratamento aprovado, se temos um composto que já está disponível em todo o mundo e se revela eficaz, isso pode ajudar as pessoas. Sendo realista, vai demorar ainda um tempo até conseguirmos uma vacina.”

CORREIO BRAZILIENSE


01.04.20 TRATAMENTO
CIENTISTAS ANUNCIAM DESCOBERTA CONTRA CORONAVÍRUS

Um grupo de cientistas chineses isolou vários anticorpos que diz serem “extremamente eficientes” para impedir a capacidade do novo coronavírus de entrar nas células, o que pode ser útil tanto para tratar como para prevenir a Covid-19. Atualmente, não existe tratamento comprovadamente eficaz para a doença, que surgiu na China e está se proliferando pelo mundo na forma de uma pandemia que já infectou mais de 850 mil pessoas e matou 42 mil. Zhang Linqi, da Universidade Tsinghua, de Pequim, disse que um remédio feito com anticorpos como os que sua equipe descobriu poderia ser usado de forma mais eficaz do que as abordagens atuais, incluindo o que ele chamou de tratamentos “limítrofes”, como o plasma. O plasma contém anticorpos, mas é limitado pelo tipo de sangue. No início de janeiro, a equipe de Zhang e um grupo do 3º Hospital Popular de Shenzhen começaram a analisar anticorpos do sangue colhido de pacientes recuperados da Covid-19, isolando 206 anticorpos monoclonais que mostraram o que ele descreveu como uma capacidade “forte” de se ligar às proteínas do vírus. Depois eles realizaram outro teste para ver se conseguiam de fato impedir que o vírus entrasse nas células, disse ele em entrevista à Reuters.

Entre os cerca de 20 anticorpos testados, quatro conseguiram bloquear a entrada viral, e destes dois foram “imensamente bons” para fazê-lo, disse Zhang. Agora a equipe se dedica a identificar os anticorpos mais poderosos e possivelmente combiná-los para mitigar o risco de o novo coronavírus sofrer uma mutação. Se tudo der certo, desenvolvedores interessados poderiam produzi-los em massa para testes, primeiro em animais e futuramente em humanos. O grupo fez uma parceria como uma empresa de biotecnologia sino-norte-americana, a Brii Biosciences, na tentativa de “apresentar diversos candidatos para uma intervenção profilática e terapêutica”, de acordo com um comunicado da Brii. “A importância dos anticorpos foi provada no mundo da medicina há décadas”, afirmou Zhang. “Eles podem ser usados para se tratar câncer, doenças autoimunes e doenças infecciosas”. Os anticorpos não são uma vacina, mas existe a possibilidade de aplicá-los em pessoas do grupo de risco com o objetivo de impedir que contraiam a Covid-19. Normalmente não transcorrem menos de dois anos para um remédio sequer obter aprovação para uso em pacientes, mas a pandemia da Covid-19 acelera os processos, disse ele, e etapas que antes seriam realizadas sequencialmente agora estão sendo feitas em paralelo.

EXAME


31.03.02
TRATAMENTO: ANVISA LIBERA USO DE CLOROQUINA EM PACIENTES GRAVES

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou o uso da cloroquina — apenas para pacientes hospitalizados e em estado grave — e determinou a dosagem específica da droga. As regras para o uso do medicamento estão publicadas em nota informativa do Ministério da Saúde da última sexta-feira (27). O informativo diz: “O Ministério da Saúde do Brasil disponibilizará para uso, a critério médico, o medicamento cloroquina como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes hospitalizados, sem que outras medidas de suporte sejam preteridas em seu favor. A presente medida considera que não existe outro tratamento específico eficaz disponível até o momento.”

Dosagem

Para o tratamento da covid-19 em pacientes graves, a Anvisa sugere 6 dias de tratamento com hidroxicloroquina (e hidroxicloroquina em associação com azitromicina), uma vez que 70% dos pacientes estavam “sem detecção viral em relação ao grupo controle, o que em caráter preliminar, pode sugerir um potencial efeito anviral no coronavírus humano”. De acordo com a determinação do Ministério da Saúde, tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina são fármacos “indicados para o tratamento das doenças artrite reumatoide e artrite reumatoide juvenil (inflamação crônica das arculações), lúpus eritematoso sistêmico e discoide, condições dermatológicas provocadas ou agravadas pela luz solar e malária”. Normalmente, para essas doenças, a cloroquina é ministrada entre 50mg e 150mg, enquanto a quantidade de hidroxicloroquina indicada é de 400mg.

Efeitos colaterais e veto à automedicação

undefined

A Anvisa alerta, porém, para os efeitos colaterais dos medicamentos e é taxativa ao proibir a automedicação. De acordo com a agência, “os eventos adversos relatados a longo prazo devido ao uso da cloroquina incluem retinopatia e distúrbios cardiovasculares”. 

Em entrevista ao Balanço Geral Manhã, da Record TV, nesta segunda-feira (30), a imunologista Nise Yamaguchi disse que a “a automedicação é completamente contraindicada porque esses remédios, a cloroquina e a hidroxicloroquina, […] podem causar problemas no coração, fígado, na mácula do olho. Então, têm que ser protegidos os pacientes. A indicação deve ser precisa”. Assista à entrevista no vídeo abaixo.

A especialista disse ainda que médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, entre outros profissionais de saúde, também deverão ser tratados com a cloroquina.

— No Brasil, ainda não temos disponíveis nas farmácias, mas acho que caminho é buscar construir essa oportunidade para que as pessoas possam ter disponíveis num futuro breve. No momento, estamos fazendo um protocolo para que profissionais de saúde possam ser tratados com essa estratégia, mas ainda é uma pesquisa e não temos esse resultado. Vai começar a ser processado.

Distribuição pelo SUS

A nota do Ministério da Saúde diz ainda que, “com o aumento dos casos da covid-19 e a velocidade de transmissão do coronavírus no Brasil, projeta-se para a primeira distribuição um quantavo calculado com base no número de casos noficados no último bolem oficial do MS (25/03/2020) e um estoque de reserva”.

A pasta garante que cada estado e o Distrito Federal vão receber quantidade “suficiente para atender de imediato os pacientes hospitalizados e para o pronto atendimento de novos casos”.

Ainda segundo a Saúde, “cada paciente receberá 2 blister c/ 10 comprimidos, para evitar fracionamento. Nenhuma UF receberá menos de 4 caixas (2.000 comprimidos)”. Esse envio será feito pelo Ministério da Saúde às Secretarias de Saúde, responsáveis por repassar os remédios para os hospitais de referência.

O primeiro envio das caixas de cloroquina e hidroxicloroquina estava previsto para começar na última sexta-feira (27).


28.03.20 – TRATAMENTO
TRATAMENTO: CLOROQUINA PODE SER A CURA PARA CORONAVÍRUS

Na “guerra” da profissão médica contra o coronavírus, os mais fervorosos defensores do professor Didier Raoult deram a ele um apelido: “cloroquina geral”. Convencidos de que o infectologista de Marselha encontrou com seu tratamento à base de hidroxicloroquina “a” fórmula milagrosa para curar a covid-19, eles o veem como seu “salvador”. E eles deram as boas-vindas à sexta-feira com uma salva de quase 11.000 “curtidas” no anúncio de novos ensaios promissores realizados em 80 pacientes. O professor de microbiologia francês Didier Raoult e suas equipes da infecção por Méditerranée do Institut Hospitalo-Universitaire (IHU) estão convencidos: esses resultados comprovam “a eficácia de seu protocolo” e “a relevância da associação de hidroxicloroquina e azitromicina “. Mas para muitos outros médicos, você ainda precisa ter cuidado.

Um novo estudo em 80 pacientes

Realizado em apenas 24 pacientes e seguindo uma metodologia considerada questionável por alguns, o primeiro estudo do professor Raoult foi fortemente criticado. O especialista em doenças infecciosas duplicou seus ensaios em um número maior de pacientes com Covid-19. Cerca de 80 pacientes que entraram no hospital entre 3 e 21 de março participaram deste protocolo. Dos 18 aos 88 anos, eles tomaram o Plaquenil, um medicamento à base de hidroxicloroquina, combinado com azitromicina, um antibiótico.

Segundo a equipe do professor Raoult, 78 desses pacientes experimentaram rápida “melhora clínica” em sua saúde e foram capazes de deixar os cuidados intensivos após cinco dias. Apenas um, com 86 anos, morreu e outro com 74 anos ainda está em estado muito grave. Além dessa fórmula combinada, a hidroxicloroquina é um dos quatro tratamentos atualmente sendo testados como parte do estudo clínico europeu Discovery, realizado em vários países em 3.200 pacientes, incluindo 800 casos graves na França. Os primeiros resultados não são esperados antes de duas semanas. Em 22 de março, durante sua coletiva de imprensa, o diretor geral de saúde, Jérôme Salomon, considerou “interessantes” os primeiros resultados do professor Raoult obtidos em 20 pacientes (alguns abandonaram o julgamento ao longo do caminho), que acabaram de publicado no International Journal of Antimicrobial Agents.

Enquanto 83% dos pacientes que receberam hidroxicloroquina das equipes do professor Raoult tiveram uma redução na carga viral em uma semana e 93% após oito dias, esse protocolo de teste inclui, no entanto, preconceito. Esses resultados poderiam de fato ser explicados pela cura natural ou pelo tratamento em boas condições sanitárias. Isso é tanto mais que alguns dos 80 pacientes são jovens (a idade média é de 52 anos). Portanto, é muito menos provável que estejam em estado grave ou até morram com isso, de acordo com dados de todos os pacientes na França.

A equipe médica também não utilizou um grupo controle para o estudo, ou seja, pacientes que não são submetidos ao mesmo tratamento. Assim, não se pode garantir cientificamente que os pacientes internados em Marselha e que estavam se beneficiando mais do tratamento que lhes foi dado ou de outros fatores. “Eu ficaria feliz em saber que esse tratamento é eficaz, mas deve ser baseado em argumentos científicos, porque a prescrição de um medicamento nunca é inofensiva”, disse o professor Jean-Daniel Leliève, especialista em doenças infecciosas do hospital Henri-Mondor, em Créteil . Especialmente porque esse medicamento é potencialmente tóxico para o coração em pacientes cuja infecção causa dano cardíaco.

Por que este medicamento seria eficaz?

Comparado a outras moléculas, a cloroquina e a hidroxicloroquina têm a vantagem de já estarem disponíveis, baratas e bem conhecidas. Mesmo antes da pandemia causada pelo SARS-CoV-2 (o nome científico do vírus), suas propriedades antivirais foram objeto de inúmeros estudos, in vitro ou em animais e em vários vírus. “Há muito se sabe que a cloroquina e seu derivado hidroxicloroquina inibem a replicação in vitro” de certos vírus, lembra Marc Lecuit, pesquisador em biologia de infecções do Instituto Pasteur. “Como esperado”, os testes confirmaram recentemente que eles têm “atividade antiviral na SARS-CoV-2 in vitro”, continua ele. Mas “isso não implica necessariamente que esses medicamentos tenham atividade antiviral in vivo em humanos”, ele sublinha, citando “muitos testes decepcionantes” no vírus da dengue ou chikungunya.

Ensaios chineses de 134 pessoas em diferentes hospitais encontraram efeitos positivos da cloroquina. Mas muitos cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para os limites desses estudos, principalmente porque se relacionam com poucos pacientes e não foram conduzidos de acordo com protocolos científicos padrão: o destino de pacientes, médicos e pacientes que não sabem quem está recebendo o tratamento, resultados publicados em uma revista científica independente revisada por pares, etc. 

Os médicos já estão prescrevendo

Na França, a hidroxicloroquina (mas também os medicamentos antivirais lopinavir / ritonavir) agora é autorizada apenas em hospitais e somente para casos graves. Mas “muitos médicos dão a pacientes que não estão em julgamento”, revela o professor Lelièvre. Um estudo retrospectivo tenta ver sua eficácia e devemos ter os resultados dentro de duas semanas. O verdadeiro ponto de vista é o agravamento que ocorre por volta do décimo dia. É por isso que temos que esperar até que haja pacientes suficientes e que todos cheguem pelo menos dez ou quatorze dias antes de podermos fazer as análises. ”

Geriatra do hospital Emile-Roux (Val de Marne), Yann Spivac também permanece cauteloso. “Talvez devêssemos começar a usar cloroquina, mas seria dentro de um protocolo de estudo muito rigoroso”, explica o médico. Não há como fazê-lo sem seguir regras estritas. Enquanto não tivermos certeza absoluta de que funcione, seria louco, na minha opinião, dar este medicamento a todos no momento, tanto em termos das falsas esperanças levantadas quanto dos efeitos colaterais ”.

Longe dos efeitos colaterais inofensivos: náusea, vômito, erupções cutâneas, mas também danos oftalmológicos, distúrbios cardíacos e neurológicos … Uma overdose pode ser perigosa, até fatal. E, acima de tudo, cuidado com a automedicação: um americano morreu nesta semana depois de ingerir uma forma de cloroquina presente em um produto usado para limpar aquários, e dois nigerianos foram hospitalizados em emergência depois de absorverem doses muito altas dessa droga , usado por idades no tratamento da malária.

LEPARISIEN

*Traduzido do Francês


18.03.20 – TRATAMENTO
VEJA OS REMÉDIOS QUE TÊM RESULTADOS POSITIVOS PARA TRATAMENTO DO CORONAVÍRUS

Quatro medicamentos apresentaram resultados positivos em pesquisas científicas no tratamento da Covid-19, doença causada pelo coronavírus. Esses remédios atuam em diferentes estágios de contaminação das células. Os resultados ainda são preliminares.

São eles:

  • Cloroquina
  • Remdesivir
  • Lopinavir/Ritonavir
  • Favipiravir

Este último foi divulgado nesta quarta-feira (18) e é vendido comercialmente no Japão com o nome de “Avigan”. Ele foi desenvolvido pela empresa Toyama Chemical, do grupo Fujifilm, e é usado há mais de 5 anos contra a Influenza. Seu uso é liberado apenas no Japão. O remédio está sendo testado apenas em laboratórios fora do país. Consultada, a Anvisa informou que não existe pedido de registro ou mesmo de pesquisa clínica envolvendo o produto no Brasil. O Remdesivir também não tem uso liberado no mundo, e ainda está em fase de testes clínicos. Já a Cloroquina e o Lopinavir/Ritonavir são remédios com uso já consolidado no mercado, inclusive no Brasil, mas destinados para o tratamento de outras doenças.

No entanto, a automedicação não é recomendada, uma vez que as pesquisas não foram totalmente concluídas e ainda não se sabe se há efeitos colaterais do uso por pacientes infectados com o coronavírus.Nesta quarta (19), o presidente americano Donald Trump ordenou que a entidade reguladora de medicamentos do país (FDA) deve acelerar o processo de aprovação de potenciais terapias que tenham efeito contra a Covid-19 e citou o Remdesivir e a Cloroquina.

Medicamentos em testes:

Favipiravir

O favinapiravir é um inibidor da enzima RNA polimerase, responsável pela síntese do RNA e que pode replicar o genoma de vírus como o coronavírus dentro das células. “O favipiravir não deixa que o material genético do vírus se reproduza”, explicou o infectologista Renato Grinbaum. Autoridades médicas chinesas anunciaram que o remédio foi eficiente contra a doença e não apresentou efeitos colaterais. Pessoas que estavam com o vírus apresentaram um resultado negativo – o micro-organismo não foi mais detectado – depois de 4 dias de uso do favinapiravir. Pacientes tratados com o medicamento também apresentaram uma melhora nas funções pulmonares.

Cloroquina

A cloroquina é um remédio usado para o tratamento da malária desde a década de 1930. Ela também foi usada no tratamento de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. A droga passou por testes laboratoriais e impediu a entrada do vírus nas células, além de evitar a disseminação das células infectadas. Um estudo publicado pela “Nature” mostrou que a cloroquina bloqueia a infecção por vírus porque altera o pH das estruturas necessárias para o vírus entrar na célula. “A cloroquina deixa o pH das vesículas internas das células mais alcalino. Os estudos indicam que o fato de alcalinizar essas vesículas impacta na multiplicação do vírus no interior das células. Por modificar drasticamente o interior das células, ela mexe com vários receptores que o vírus usa para se modificar”, explicou o imunologista do Instituto de Ciências Biomédicas da USP Claudio Marinho.

A ação anti-inflamatória do remédio também pode ser efetiva contra o vírus. “A cloroquina diminui a resposta inflamatória que o nosso corpo usa pra destruir o vírus”, disse o professor especialista em medicina tropical da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marcelo Burattini. Um pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, anunciou nesta quinta que obteve 100% de sucesso nos testes da combinação da hidroxicloroquina (um derivado da cloroquina) com azitromicina (antiinflamatório). De acordo com o pesquisador Gregory Rigano, os 40 pacientes infectados com o vírus deixaram de apresentar infecção depois de 6 dias. O estudo ainda não foi publicado.

Remdesivir

O Remdesivir é um remédio que age evitando a síntese do RNA (material genético) do vírus nas células, de acordo com Burattini. A farmacêutica americana Gilead detém a patente de uso do Remdesivir. Seus testes clínicos começaram em 2015 para um série de vírus, entre eles a malária e a influenza, mas ele não é uma droga aprovada para uso. “A Gilead ofereceu o remédio para teste em um pequeno grupo de pacientes em colaboração com as autoridades chinesas e os resultados foram promissores, mas ainda são muito preliminares”, disse o professor Burattini. Segundo o professor, o Remdesivir já foi usado compassivamente por duas vezes: em 2016 e em 2018, durante surtos do Ebola. Ele foi aprovado para testes nos Estados Unidos, mas ainda não há resultados conclusivos, feitos com uma amostragem grande de pacientes.

Lopinavir e Ritonavir

É um dos componentes de coquetéis antivirais. Foi usado no Brasil nos anos 1980 e 1990 para tratar o HIV. “Era muito popular no Brasil, mas foi abandonado porque surgiram drogas de novas gerações que são mais efetivas e têm menos efeitos colaterais”, disse Burattini. O Lopinavir impede a formação da Protease, enzima responsável pela quebra da proteína, explicou Grinbaum. Já o Ritonavir é um remédio complementar, que impede que o Lopinavir seja destruído pelo fígado. “O inibidor de protease quebra grandes cadeias proteicas em pequenos pedaços. Isso é importante para impedir a montagem final do vírus na célula, porque o vírus se insere no nosso genoma celular e passa a comandar a célula, seu genoma usa o nosso material celular para fazer cópias dele mesmo”, explicou Burattini. O inibidor de protease impede que o vírus tenha sua cadeia quebrada e as proteínas reestruturadas em novos vírus. Em comparação com os outros medicamentos, o Lopinavir atua em uma fase mais tardia da infecção.”Os inibidores têm potencial de causar efeitos adversos razoavelmente importantes porque interferem em funções celulares, mesmo que muito específicas”, explicou o professor. O composto pode causar toxicidade no fígado, intolerância gastrointestinal, náuseas e vômito.

G1